Palmeiras pode dar ‘drible’ em nova regra da CBF para estrangeiros; 4 nomes na mira da naturalização

Verdão votou a favor da redução do limite de gringos no Brasileirão, mas pode ganhar importante margem de segurança com dupla cidadania de jogadores que j...

Palmeiras pode dar ‘drible’ em nova regra da CBF para estrangeiros; 4 nomes na mira da naturalização
Palmeiras pode dar ‘drible’ em nova regra da CBF para estrangeiros; 4 nomes na mira da naturalização (Foto: Reprodução)

Verdão votou a favor da redução do limite de gringos no Brasileirão, mas pode ganhar importante margem de segurança com dupla cidadania de jogadores que já cumprem pré-requisitos no país

O Palmeiras pode encontrar uma saída dentro do próprio elenco para não sofrer tanto com a nova regra da CBF que vai reduzir gradativamente o número de estrangeiros permitidos por partida no Campeonato Brasileiro.

Mesmo tendo votado favoravelmente à mudança, o Verdão conta com quatro jogadores que já cumprem, em tese, requisitos para iniciar um processo de naturalização brasileira.

A nova regulamentação foi aprovada pela CBF e pelos clubes da Série A e prevê uma redução progressiva do limite de estrangeiros relacionados por partida. O teto atual é de nove atletas e cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e, finalmente, cinco em 2030. A entidade afirma que a medida busca ampliar o espaço para jogadores brasileiros e estimular a formação de atletas no país.

Cenário atual do elenco de Abel Ferreira

O Palmeiras possui atualmente oito estrangeiros no elenco – Maurício passou a defender o Paraguai a partir deste ano, mas representa um caso em particular. O problema aparecerá especialmente a partir de 2027, quando o número máximo cairá gradativamente a cada 12 meses.

É justamente neste cenário que três jogadores do elenco alviverde podem representar uma espécie de “válvula de escape” para a diretoria: Gustavo Gómez, Piquerez, Jhon Arias e Flaco López.

Segundo levantamento do Bolavip Brasil sobre as regras de naturalização, os três atletas já possuem tempo suficiente de residência no Brasil para, em tese, iniciar um processo de naturalização ordinária. Gómez está no país desde agosto de 2018, Piquerez desde julho de 2021 e Flaco desde junho de 2022.

No caso de Arias, que desembarcou no Rio de Janeiro em agosto de 2021 para defender o Fluminense, ele também entra em tal estatística por já ter filho nascido no território – neste caso específico, a lei permite a naturalização com um ano morando no Brasil.

Na prática, isso significa que os três podem representar uma alternativa para o Palmeiras no futuro caso obtenham a cidadania brasileira. Um atleta que passe a ter nacionalidade brasileira deixa de ocupar uma das vagas destinadas aos estrangeiros nas competições nacionais.

Ainda assim, é importante destacar: ter o tempo mínimo de residência não significa que a naturalização seja automática. O jogador precisa cumprir os demais requisitos legais e passar pelo procedimento previsto pelas autoridades brasileiras.

O que diz a legislação?

A naturalização ordinária está prevista na Lei nº 13.445/2017, a Lei de Migração, e regulamentada pelo Decreto nº 9.199/2017. Entre os requisitos estão a comprovação do período mínimo de residência no Brasil, capacidade de comunicação em língua portuguesa e outros critérios previstos na legislação.

O artigo citado no contexto dos jogadores de futebol é, especificamente, o Art. 236 do Decreto nº 9.199, de 20 de novembro de 2017.

O dispositivo prevê que o prazo mínimo de residência pode ser reduzido para dois anos quando o naturalizando tiver prestado ou puder prestar serviço relevante ao país ou for recomendado por sua capacidade profissional, científica ou artística. A avaliação cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que pode consultar outros órgãos da administração pública.

Art. 236 do Decreto nº 9.199, de 20 de novembro de 2017

Portanto, não se trata simplesmente de um jogador completar quatro anos no Brasil e automaticamente receber a cidadania. O tempo de residência é apenas uma das condições analisadas no processo.

Palmeiras tem oito estrangeiros atualmente

Alexander Barboza — Argentina/Uruguai;Gustavo Gómez — Paraguai;Joaquín Piquerez — Uruguai;Emiliano Martínez — Uruguai;Ramón Sosa — Paraguai;Jhon Arias — Colômbia;Flaco López — Argentina;Giay — Argentina.**Maurício não entra nesta conta

A relação atual coloca o Palmeiras exatamente no limite que será permitido pela CBF. A partir de 2027, em caso de permanência de todos os estrangeiros, a equipe precisará fazer cortes imediatos por causa da nova regra. E neste contexto, a possibilidade de naturalização ganha peso estratégico.

E a situação de Maurício?

Os demais jogadores estrangeiros do elenco chegaram ao Brasil mais recentemente e, pela regra geral de residência, ainda não possuem o mesmo tempo ou preenchem os requisitos do quarteto mencionado. São os casos de Alexander Barboza, Ramón Sosa, Emiliano Martínez e Giay.

Há ainda uma situação diferente envolvendo Maurício. O meia-atacante não entra na relação de estrangeiros do Palmeiras justamente porque já possui nacionalidade brasileira. Em 2026, ele concluiu o processo de naturalização paraguaia e passou a defender a seleção do país, mantendo a cidadania brasileira.

O caso de Maurício mostra, na prática, como a dupla nacionalidade pode evitar que um jogador ocupe uma das vagas destinadas aos estrangeiros no futebol brasileiro.

Conclusão: Palmeiras e projeto da CBF sobre limitar estrangeiros

O Palmeiras, portanto, não está apenas pensando no próprio elenco. A avaliação do clube é de que a limitação pode estimular os times brasileiros a investir mais na formação de jogadores e, principalmente, dar oportunidades aos jovens nas equipes profissionais.

No entanto, existe uma carta na manga do Palmeiras que lhe traz tranquilidade diante dos cortes nos elencos da Série A daqui para frente: quatro dos oito estrangeiros já têm ‘margem’ para buscar a naturalização brasileira.