Opinião: O Grêmio está ruindo e a omissão da direção nos empurra para a Série B

A derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro escancarou o colapso do Grêmio. Sem comando e com a direção omissa, o Tricolor caminha a passos largos para a Série B. ...

Opinião: O Grêmio está ruindo e a omissão da direção nos empurra para a Série B
Opinião: O Grêmio está ruindo e a omissão da direção nos empurra para a Série B (Foto: Reprodução)

A derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro escancarou o colapso do Grêmio. Sem comando e com a direção omissa, o Tricolor caminha a passos largos para a Série B.

Derrota para o Cruzeiro escancara o colapso de uma gestão que blindou erros, contratou mal e deixou Renato isolado no comando técnico.

A derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro dentro da Arena não foi apenas mais um resultado negativo na tabela do Campeonato Brasileiro. Foi o golpe de misericórdia no torcedor, a confirmação definitiva de que todos os alertas emitidos ao longo dos últimos meses foram solenemente ignorados nos bastidores da Arena. O Grêmio caminha a passos largos e assustadores rumo a mais um rebaixamento, enquanto a omissão da alta cúpula transforma o clube em uma terra sem rumo e sem liderança.

Tentar colocar nas costas de Renato Portaluppi o peso desse colapso beira a covardia editorial e de gestão. O treinador voltou para apagar um incêndio que ele não começou e para gerir um vestiário destruído pela falta de planejamento. Quando Renato assume publicamente sua parcela de culpa, faz isso por profissionalismo e hombridade, mas a torcida enxerga a realidade: o maior ídolo da história do Imortal virou o único escudo de um departamento de futebol que falhou em todas as suas convicções.

A derrocada atual é obra exclusiva de uma direção que insistiu em diagnósticos equivocados. Foram meses ouvindo que o trabalho diário de Luís Castro era impecável, mesmo quando a equipe se arrastava em campo e empilhava atuações pífias. O tempo passou, a comissão técnica mudou, mas os vícios de montagem do elenco permaneceram intactos, expondo o abismo técnico entre as intenções do discurso oficial e a realidade das quatro linhas.

Um departamento de futebol omisso e sem cobrança

Torna-se inacreditável constatar que Paulo Pelaipe e Rafael Lima continuem intactos em seus cargos após a sucessão de erros no planejamento do futebol. O torcedor assiste a contratações sem critério, janelas desperdiçadas e um elenco visivelmente desequilibrado sem que ninguém assuma a responsabilidade do fracasso. A permanência de dirigentes que não entregam resultados práticos demonstra a falta de cobrança que hoje contamina todo o CT Luiz Carvalho.

O cenário institucional fica ainda mais vexatório quando analisamos a postura do CEO do clube. Passaram-se nove meses com um discurso moralista e inflado, garantindo categoricamente que o Grêmio jamais fecharia contrato de patrocínio com casas de apostas. A promessa caiu por terra ao anunciarem a parceria com a casa de apostas, expondo a fragilidade de uma palavra que não resistiu à pressão financeira e administrativa.

Esse tipo de contradição descredibiliza a instituição e mostra que o planejamento executivo está completamente à deriva. O correto seria a demissão do CEO no exato momento em que o discurso ruiu publicamente. A passividade diante dessas contradições institucionais só reforça a sensação de que não há comando, cobrança ou pulso firme na gestão do Tricolor.

A omissão da diretoria isola Renato e destrói o Grêmio

Enquanto o time afunda rodada após rodada na zona de rebaixamento, o ambiente interno desmorona em praça pública. Renato fala sozinho nas entrevistas coletivas, apontando falhas de montagem de grupo e escancarando a falta de sintonia entre quem pensa o futebol e quem assina os cheques. A direção prefere se esconder atrás do treinador a tomar decisões drásticas e necessárias para estancar a sangria.

O Grêmio está ruindo diante dos nossos olhos sem que nenhuma atitude de impacto seja tomada. A apatia de quem comanda o clube contrasta dolorosamente com o desespero e a indignação de milhões de torcedores que veem o fantasma da Série B virar uma realidade matemática inevitável a cada rodada do Brasileirão.

O desfecho trágico de uma gestão sem convicção

Não há milagre tático que resolva a falta de projeto institucional. Renato seguirá tentando mobilizar os atletas no vestiário até o último minuto do campeonato, mas ele não pode entrar em campo nem refazer o planejamento do futebol que foi jogado no lixo ao longo de toda a temporada.

A queda do Grêmio não será um acidente de percurso ou fruto do azar em um jogo isolado. Será o resultado direto de escolhas equivocadas, vaidades políticas e uma omissão covarde de dirigentes que blindaram seus próprios cargos enquanto o clube descia a ladeira.

Se a direção não tiver a coragem de promover uma reformulação imediata no departamento de futebol e na gestão executiva, o desfecho será a página mais triste do nosso passado recente. O torcedor gremista não merece passar por essa humilhação. E Renato Portaluppi, muito menos.